domingo, 26 de junho de 2011

SE ORIENTE GIL NA POLITÉCNICA DA USP


Essa gravação de um show de Gilberto Gil é uma pérola da música brasileira. Gil estava chegando do exílio e foi convidado a participar de um protesto contra a morte do estudante da USP, Alexandre Vannucchi Leme, pela ditadura militar.

Nesse show na Escola Politécnica da USP, Gil cantou e músicas e contou casos para um público de quase dois mil alunos. Ele tocou clássicos da época como ‘Oriente’, ‘Meio de campo’, ‘Objeto sim, objeto não’ e ‘Expresso 2222’.

Quando a audiência pediu em coro que cantasse ‘Cálice’, parceria de Gil com Chico Buarque, ele respondeu que não sabia parte da letra. “Tem uma parte da letra, que é do Chico, que eu não lembro e que eu nem aprendia cantar”, lembra. Até que um estudante entregou-lhe uma cópia da letra e Gil apresentou uma versão bela e pungente da canção – como só ele sabe fazer.

Toda a apresentação, com Gil ao violão e conversando com a platéia como se estivesse sentado na rede da varanda. “Numa corrida de obstáculos, um cara vem e pula por cima, o outro passa por baixo”, comenta Gil, arrancando risos da audiência.

A versão acústica de ‘Back in Bahia’ ganhou urgência de raridade, porque é quando ele explica toda a influência de botar o rock no sertão e cantar como as velhas tradições do repente nordestino. Sensacional!!!

Feito na época, em gravadores de rolo, esse registro foi importante pela história da luta contra a ditadura militar. Chegou a ser cogitado como lançamento, mas Gil já era Ministro da Cultura e não deu atenção ao projeto. Em 2002, Paulo Tatit, do Grupo Rumo, remasterizou o áudio, mas não houve acordo nem verba para o lançamento. Depois o arquivo foi parar na internet, e hoje com encarte e capa feitas pelo blog amigo Toque Musical.

1973 Ao Vivo na Escola Politécnica da USP

1. Oriente
2. Gil fala
3. Chiclete com banana
4. Minha nêga na janela
5. Senhor delegado
6. Eu quero um samba
7. Meio de campo
8. Cálice
9. Gil fala
10. O sonho acabou
11. Ladeira da preguiça
12. Expresso 2222
13. Procissão
14. Gil fala
15. Domingo no parque
16. Gil fala
17. Umeboshi
18. Objeto sim, objeto não
19. Gil fala
20. Ele e eu
21. Noite morena/ Duplo sentido
22. Cidade de Salvador
23. Iansã
24. Eu só quero um xodó
25. Edith Cooper
26. Back in Bahia
27. Filhos de Gandhi
28. Eu preciso aprender a só ser
29. Cálice (respise)

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domingo, 19 de junho de 2011

O TOQUE DO ROJÃO DE RODRIGO CAÇAPA

Outro lançamento do ano. O disco de Rodrigo Caçapa tem participação de Alessandra Leão nas percussões e Hugo Linns nas linhas de baixo.

Nesse álbum, Caçapa eletrificou as violas e gravou uma obra enxuta, apenas com as violas de 12 e 10 cordas, violões-baixo, pandeiro e ganzá.

Baseado em termos usados para identificar os ritmos, como Côco, Rojão, Samba, Baião, Repente ou Baiano. Sem querer, Caçapa me lembrou o álbum ‘Coisas’ do Moacir Santos, mas ele fez o seu próprio exemplar, o Rojão, seu Toque de Rojão – nesse caso o Toque da Viola.

É um disco de viola moderna – ‘Elefantes na Rua Nova’ – porque Caçapa transforma o som da viola com afinações criadas especialmente para as gravações, além de utilizar pedais de efeito como tremolo, reverb e delay.

Caçapa é conhecido pelos discos que produziu, mas este é seu primeiro disco solo, gravado com cuidado e personalidade autoral.

2011 Elefantes na Rua Nova

1. Baiano-Rojão Nº01
2. Coco-Rojão Nº01
3. Coco-Rojão Nº03
4. Baiano-Rojão Nº02
5. Coco-Rojão Nº02
6. Samba de Rojão Nº01
7. Rojão Nº01
8. Coco-Rojão Nº04

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domingo, 12 de junho de 2011

ENTÃO ARRANQUEM PEDAÇOS DO BONIFRATE


Eu gosto das letras do Bonifrate, que eu conheci no último disco do Supercordas, ‘Seres Verdes ao Redor’. Até mesmo, já havia mencionado aqui antes, que o som dele é o encontro do rock rural brasileiro com os timbres psicodélicos em melodias assobiáveis – seja no Supercordas ou na carreira solo.

Só mesmo na poesia do Bonifrate é que as horas emudecem ou se confirme a existência de uma avalanche de luz ou até a possibilidade de sugestão para lhe arrancarem os pedaços e enterrarem nos quintais da mente.

Somente nos poemas de Bonifrate, que você pode encontrar imagens oníricas como uma fazenda de nuvens, fantamas e gatas loucas, céu lacrimejante, reumatismo temporal, festa interestelar, cronos translacionar, sertão diabril, artefato voador e até mesmo um demônio criador particular. Ou que você possa renascer do ar, chover lembranças e que o trem não improvisa.

O Bonifrate lançou o álbum ‘Um Futuro Inteiro’, que é uma obra coesa, que sempre coexistiu com a obra do Supercordas e com os outros álbuns lançados por ele. Músicas como ‘Esse trem não improvisa’, ‘A farsa do Futuro enquanto Agora’, ‘Vertigem de uma festa interestelar’, ‘O vôo de Margarida’ e ‘Cidade nas nuvens’, que são o que há de melhor no folk-rock-psicolélico-assobiável, representado pelo Bonifrate. Mas não há que deixar de fora, desse cancioneiro, as baladas-folk-líricas ‘Cantiga da fumaça’, ‘Eugênia’ e ‘Naufrágios’ ou a também folk-onírica ‘Antena a mirar o coração de Júpiter’.

Para que você também possa entender o Bonifrate, peguei uns links lá do (Mu)sroom Records... Aqui vai uma amostra do cancioneiro folclonírico desse grande trovador da música folcloral brasileira – incluindo o recém lançado ‘Um Futuro Inteiro’.

2011 Um Futuro Inteiro

1. Esse trem não improvisa
2. A farsa do Futuro enquanto Agora
3. Vertigem de uma festa interestelar
4. Concórdia
5. O vôo de Margarida
6. Cantiga da fumaça
7. Antena a mirar o coração de Júpiter
8. Cidade nas nuvens
9. Naufrágios
10. Nadando
11. Eugênia

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2010 Ao Vivo no Plano B (& os Demônios do Brejo)

1. Seqüelagem
2. Estudo rural em ré maior
3. No try
4. Céu & chão
5. Kissing by the lake
6. Cantiga da fumaça
7. Os anões da Villa do Magma (parte 1)
8. Rumo à Lua num tapete voador
9. Naufrágios
10. Home of the brave (Spiritualized cover)
11. Eugênia

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2006 Breve Viagem ao País das Libélulas

1. Partida (quatro asas)
2. Estadia (a dança da mosca-dragão)
3. Retorno (meu sofá sem você)
4. Epílogo (eu não tenho sorte nessa vida)

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2005 Os Anões da Villa do Magma

1. Os anões da Villa do Magma (parte 1)
2. Céu et chão
3. Bolhas de vidro
4. Os anões da Villa do Magma (parte 2)
5. Estudo rural em Ré Maior
6. No try (capela)
7. Kissing by the lake
8. Rumo à Lua num tapete voador
9. O álcool é piegas
10. Mini-plasma
11. Os anões da Villa do Magma (parte 3)
12. Minha casa orgânica

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2004 Os Seres Verdes Série 1 (& Valentino)

1. Semi-humanos administrando sum-humanos compradores
2. Eterno entardecer
3. RISC vs. CISC

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2003-2001 Paleontologia (Ossadas e Fragmentos)

1. Quando a chuva cai
2. Miolos apaixonados
3. Substâncias cósmicas
4. Kissing by the lake
5. Unicórnio 2D
6. O álcool é piegas
7. Problemas com o radar 1
8. Problemas com o radar 2

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2002 Sapos Alquímicos na Era Espacial (EP)

1. Seqüelagem
2. I.A. e seus Algoritmos
3. Alquimistas do underground
4. Casa com piano
5. Benzitrat
6. Frog Rock
7. Radiação verde
8. Mae'r llyfr ar y bwrdd
9. Bizarrices noturnas
10. Pós
11. Créditos

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2002 Substâncias Cósmicas (Single)

1. Substâncias cósmicas
2. Unicórnio 2D
3. O álcool é piegas

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domingo, 5 de junho de 2011

SOU SUSPEITA, ESTOU SUJEITA E NÃO SOU SANTA


O álbum de estréia de Anelis Assumpção – filha de Itamar Assumpção – será lançado oficialmente em nove de junho desse ano, mas já está digitalmente disponível para audição no site da Scubidu Records.

Não apenas pelo fato de ser filha de Itamar, que o disco de Anelis abre com uma introdução de voz e violão do pai. Antes de morrer, Itamar fez um acordo com Anelis de que a ajudaria na produção do primeiro disco solo, se ela o ajudasse a reeditar sua obra. A ‘Caixa Preta’ de Itamar foi lançada – infelizmente de forma póstuma, pois Itamar morreu em 2003 – mas mesmo assim ele cumpriu o acordo com a filha.

Segundo reportagem de Marcus Preto na Ilustrada, a própria Anelis não conseguia terminar nada na carreira solo, enquanto não concluísse a 'Caixa Preta' do pai. “Tinha horas que eu ficava até angustiada, me perguntando porque ele foi fazer esse acordo comigo, mas só depois é que fui entender o que estava acontecendo nesse processo”, comenta ela.

O que aconteceu foi um amadurecimento, das canções e da própria carreira de Anelis, além de um ganho considerável em experiência, que ela jamais teria se não houvesse o acordo – já que ela produziu dois discos com material inédito do pai, junto com dois grandes produtores como Beto Villares e Paulo Lepetit. Além desse ‘curso intensivo’ em produção, que teve com a preparação da ‘Caixa Preta’, todo dinheiro ganho com a venda dessa reedição, foi usado na produção do CD ‘Sou Suspeita Estou Sujeira Não Sou Santa’ – resumindo, Itamar foi produtor executivo por tabela.

A música de abertura é uma homenagem a Itamar e à todas mulheres, inclusive à própria filha, ‘Mulher segundo meu pai’, onde a introdução se transforma num dueto arrepiante entre pai e filha. O disco segue abraçando o reggae e o dub em ‘Bola com os amigos’ e até promove o encontro entre o samba e as rimas do rap de Max B.O., em ‘Passando a vez’.

Mas o disco tem outras grandes participações, como Gero Camilo, que foi o par-romântido de Rodrigo Santoro em ‘Carandiru’, mas que usou a veia de ator para dar vida à cafajestagem em ‘Amor sustentável’. Outras participações importantes como Alzira E. em ‘Quaresmeira’, Karina Buhr e Flavia Maia em ‘Sonhando’, Cris Scabelo em ‘One day’, CéU em ‘Neverland’ e Lurdez da Luz em ‘O importante é o que interessa’ – disponível como bônus das versões vinil e digital.

Outra participação importante são das irmãs de consideração de Anelis, Thalma de Freitas e CéU, que juntas formam o trio ‘Negresko Sis’, ‘As Irmãs Negresko’em inglêse que também é referência ao biscoito de mesmo nome, que é usado pra definir a formação de duas negras e uma branca – nesse caso a CéU é o recheio, entre Thalma e Anelis. Juntas elas cantam ‘Secret’ e ‘Alta madrugada’.

‘Luz dos meus olhinhos’ é um reggae com levada hvaiana, com direito a guitarra-slide, mas também de um tecladinho pegajoso, que confere à peça uma pegada bem pop. Em todo disco existe a colaboração de amigos próximos de Anelis, como Bruno Buarque, Mau Pregnolatto, Lelena Anhaia, Simone Sou, Curumin, Lucas Martins, Gustavo Lenza e Gustavo Ruiz, que já havia gravado dois discos com Anelis, além de Iara Rennó, na banda ‘DonaZica’. São ele ‘Composição’ em 2003 e ‘Filme Brasileiro’ em 2005.

Sem falar na presença cósmica de Itamar Assumpção... No início do álbum, como um profeta da arte e consideravelmente culpado por tudo isso. E como se fosse planejado, o disco encerra do outro lado dessa árvore genealógica tão talentosa.

Por isso, ouçam online, gravem nos players, compartilhem, mas não deixem de comparecer ao show, de comprar o CD nas mãos do artista e de apoiar os artistas nos esquemas de ‘crowdfunding’, que é financiamento colaborativo em inglês – como os sites catarse e multidão, que formam o Grupo Comum –, que são utilizados para viabilizar projetos como esse...

2011 Sou Suspeita Estou Sujeita Não Sou Santa

1. Mulher segundo meu pai (& Itamar Assumpção)
2. Bola com os amigos
3. Amor sustentável (& Gero Camilo)
4. Passando a vez (& Max B.O.)
5. Deita I
6. Secret (& CéU + Thalma de Freitas)
7. Neverland (& CéU)
8. Sonhando (& Karina Buhr + Flavia Maia)
9. Estrela
10. Quaresmeira (& Alzira E.)
11. One Day (& Cris Scabelo)
12. Alta madrugada (& CéU + Thalma de Freitas)
13. Deita II
14. Luz nos meus olhinhos
15. Paixão cantada (o urso da cara brilhante)
16. O importante é o que interessa (& Lurdez da Luz)
17. Como é gostoso

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2005 Filme Brasileiro - DonaZica

1. Desperte
2. Vixe Maria
3. Mulher segundo meu pai
4. Salve (& CéU)
5. Nua e crua (psico.samba) (& B.Negão)
6. Cultura (& Simone Sou)
7. Ensaiadinho (& Oswaldinho da Cuíca)

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2003 Composição - DonaZica

1. Pegadas
2. Leve
3. O fio da comunicação
4. Piano
5. Jabá
6. Protesto pessoal
7. Quem quiser
8. Pimenta
9. Macunaíma
10. Dona Zica
11. Até o dia
12. 11.09
13. Valei-me (& Alzira E.)

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