domingo, 23 de fevereiro de 2014

AS PENAS DO TIÊ-SANGUE DE GUSTAVO GALLO

Cantor paulistano Gustavo Gallo estréia em vôo solo com disco cheio de participações especiais e belas canções.


O álbum solo de Gustavo Galo, integrante da 'Trupe de Chá de Boldo', saiu dividido entre par ou ímpar. As canções ímpares são mais introspectivas enquanto as pares ficaram com arranjos mais arrojados.

O álbum 'Asa' apresenta Galo como um compositor experiente que segue uma linha evolutiva de uma canção a outra. A dualidade também foi representada pelas penas do tiê-sangue, um pássaro que sobrevoava os umbrais do cantor e o inspirava em determinados momentos, e sua própria pele.

Abrindo com leveza em 'Tomara', com participação de Maurício Pereira e Alzira E., e seguida pela alegre 'Cantei cantei', que dispara diversas referências de algumas influências de Galo. 'Só' faz parte do lado ímpar, com participação de Tatá Aeroplano, enquanto a canção seminal de Walter Franco, 'Eu te amei como pude (Feito gente)', representa o lado par.

Se em 'Moda' Galo determina que “não está a venda nem a prestação”, em 'De aeroplano' ele exalta a boa sensação de alegria e tranquilidade “sem pressa, amor, de aterrissar”. 'Um garoto' apresenta uma crônica urbana cotidiana, com participação de Lucinha Turnbull, seguida pela delicadeza sincera de 'Seresta'.

A canção 'Cama' de Tatá Aeroplano, gravada no terceiro álbum do 'Cérebro Eletrônico', ganhou versão acústica e singela. O disco encerra com as participações de Lirinha em 'Nosso amor é uma droga' e Ava Rocha na faixa título, 'Asa'.

O disco foi produzido por Gustavo Ruiz e contou com Pedro Gongom (bateria e percussões), Meno del Picchia (baixo e rhodes), Zé Pi (guitarras), Peri Pane (cello), Tomás Oliveira (piano e rhodes), Luiz Chagas (lap steel), Pedro Mibielli (violino), Flavio Guaraná (pandeirola), Juliana Perdigão (clarinete) e Maico Lopes (trompete).

Um disco imperdível para quem pretende entender a nova produção musical brasileira. 

2014 Asa

1. Tomara
2. Cantei cantei
3. Só
4. Eu te amei como pude (Feito gente)
5. Moda
6. De aeroplano
7. Um garoto
8. Seresta
9. Cama
10. Nosso amor é uma droga
11. Asa

domingo, 16 de fevereiro de 2014

TODO CALOR DE ISAAR ou NUNCA MAIS DESAPAREÇA

Cantora pernambucana lança novo disco repleto de belas canções com suaves melodias e ritmos frevoadores.  


O terceiro álbum solo da cantora Isaar, 'Todo Calor', apresenta 11 canções de arranjos enxutos e singelos, executados por uma banda formada por Deco do Trombone, Gabriel Melo (guitarra), Rama Om (baixo) e Do Jarro (bateria).

A abertura do álbum é com 'Nunca mais desapareça', composta pela própria Isaar em parceira com Lito Viana, uma canção pop e recheada de referências da bossa nova à jovem guarda. Em 'Casa vazia', ela revela um balanço latino repleto de sol e mar.

Em 'Estrada de sementes', Isaar mistura reggae com frevo sem a menor parcimônia com a participação do grupo 'Voz Nagô', para em seguida mergulhar em reverências ao som da África, também presentes no “afrevobeat” de 'Coisas por escrito', poema do olindense França em homenagem ao pintor Miró e musicado por Lito Viana. Respire agora...

'Brincadeira' é um interlúdio vocal seguido pelas primeira sílabas da voz suave e melodiosa de Isaar em 'Tudo em volta de mim vira um vão', um frevo-blues e depois o frevo-calipso de 'Festa na roça'. 'Estação ligeira' trás o frevo legítimo com um naipe de trombone, saxofone e trompete (Deco, Parrô Melo e Daniel Ferraz, respectivamente).

'O que será de mim?' vem no formato de frevo-ragtime com Isaar brilhando em contraponto com os sopros, composta pelo poeta Zizo. 'Espero bem devagar' encerra o álbum com uma ode à mãe natureza, numa canção de singela beleza.

Tudo que Isaar faz tem um pé nas tradições populares – principalmente do estado de Pernambuco – mas também tem uma pitada de “mudernidade”. Pode-se dizer que ela faz um frevo-pop, que as vezes também pode ser um frevo-lounge etc e tal.

Mas a verdade é que não há rótulos para definir o som de Isaar. O que ela faz é pura arte contemporânea. Resta a ti, consumir, compreender e compartilhar. Ouça sem parcimônia...

2014 Todo Calor

1. Nunca mais desapareça
2. Casa vazia
3. Estrada de sementes
4. Todo calor
5. Coisas por escrito
6. Brincadeira
7. Tudo em volta de mim vira um vão
8. Festa na roça
9. Estação ligeira
10. O que será de mim?
11. Espero bem devagar

domingo, 9 de fevereiro de 2014

TOMBA RECORDS APRESENTA TOMBA ORQUESTRA

Bruno Marcus, fundador do 'Tomba Records', apresenta orquestra moderna que cria trilhas sonoras para filmes imaginários. 



A 'Tomba Orquestra' nasceu da necessidade de Bruno Marcus em apresentar um trabalho autoral com uma trupe de diversos artistas, que já colaboram no estúdio fundado em Niterói, o 'Tomba Records'.

Uma orquestra pop formada por 30 integrantes, entre eles Alex Ventura, André Brito, André Mansur, Antônio Rodrigues, Bruce Lemos, Daniel Vasquez, Edno Junior, Edu Vilamaior, Fabio Simões, Felipe Escovedo, Flu, Fernando Oliveira, Fred Martucci, Gabriel Delatorre, Gabriel Policarpo, Gilber T, João Raphael Vianna, Leonardo Costa, Lincoln Castro, Lucas Brasi, Luciana Lazulli, Marcelo Salazar, Marco Serragrande, Marcos Braz, Mario Travassos, Maurício Bongo, Pedro Selector, Rodrigo Sestrem, Sérvio Túlio, Tata Ogan e pelo próprio Bruno Marcus.

O álbum apresenta um apanhado de temas intrumentais, que vão desde o jazz em 'Jazz intro' e 'Charles Bossa 7', groove e suingue em 'A fuga', samba sincopado em 'Bossa nova export', reggae lounge em 'Homeopática', surf-music em 'Ska-surfboard brow' e 'Bolada', maracatu-folk em 'Faroeste cabôco', western-spagetti em 'Billy Bob's' e 'Prenúncio de guerra' e 'Bangue bangue à brasileira' e 'Fado italiano' e alguns samba-canções com distorções em 'Bambú', 'Intro 2' e 'Recordações'.

O disco 'Tomba Orquestra' apresenta uma variedade de referências que vão desde às trilhas compostas por Ennio Morricone e Bernard Hermman e aos filmes de David Lynch e Quentin Tarantino. Uma obra produzida por Bruno Marcus e Gilber T.

2014 Tomba Orquestra

1. Jazz intro
2. Charles Bossa 7
3. Homeopática
4. Intro 2
5. Bambú
6. Bossa nova export
7. Recordações
8. Billy Bob's
9. Prenúncio de guerra
10. Fado italiano
11. Bangue bangue à brasileira
12. Faroeste cabôco
13. Ska-surfboard-brow
14. A fuga
15. Bolada

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A GRAVEOLA SOPRA NA ORELHA O SOM DA VIOLA

Os mineiros do 'Graveola e o Lixo Polifônico', apresentam quarto disco cheio de referências aos clássicos da música brasileira.


A banda 'Graveola' se tornou um coletivo, comunidade, organização, sei lá... Eles seguem com a mesma pegada de belas canções, recheadas de reverências ao cancioneiro popular brasileiro.

O álbum 'Vozes Invisíveis ou 2 e 1/2' inicia com uma colaboração com Zé do Poço como cantor e regente, um convite ao 'Ouvinte' a escutar, baixar e compartilhar gratuitamente o CD. 'Vozes invisíveis' é uma bela canção de lotar estádios e ser entoada em uníssono por toda platéia.

'Envelhecer' faz clara referência a 'Preciso aprender a ser só', tanto na letra simples e na melodia sincopada. 'Cafeína' e 'Chuva se começo a pensar' são resultados da parceria entre Luiz Gabriel Lopes e José Luis Braga, dois mestres da aliteração e da arte de espalhar pitadas de referências à música brasileira.

'A mão e a roseira' e 'Até breve' são baladas poéticas e psicodélicas com arranjos singelos, enquanto 'Canina intuição' e 'Escadaria' revelam forte influência do 'Clube da Esquina'. 'Cleide' é um chorinho moderno, seguido por 'Maquinário', um samba com tabla.

'A lenda do Homem Pássaro' foi composta por J.P. Simões e 'Da janela' por Luiza Brina. Um disco especial, que também pode ser considerado como um recorte temporal, um registro sonoro, uma série de impressões variadas da comunidade em movimento, chamada 'Graveola'.

2014 Vozes Invisíveis ou 2 e 1/2

1. Ouvinte
2. Vozes invisíveis
3. Envelhecer
4. Cafeína
5. A mão e a roseira
6. Canina intuição
7. Escadaria
8. Até breve
9. Cleide
10. Maquinário
11. A lenda do Homem Pássaro
12. Da janela
13. Chuva se começo a pensar