domingo, 27 de dezembro de 2015

O FUTURO DO MUNTCHAKO É CERTO

O trio 'Muntchako' ultrapassa fronteiras e se apresenta como uma das mais importantes bandas e surpresas da atualidade.  


Quando primeiro escrevi sobre a banda 'Muntchako', formada por Barata na bateria, Macca na percussão e Samuca nas guitarras e programações, só tinha ouvido a canção 'Emojubá'. Mas agora o trio já soltou outras canções na internet.

'Coqueirinho verde' se apresenta como um ska e vai se transformando em salsa aos poucos, assumindo toda a latinidade latente que também vai pesando e ficando eletrônico e acelerando e se transformando numa pletora de energia dançante e susprirante.

O 'Muntchako' deixa o ouvinte sem fôlego e lavado de suor, pois é impossível permanecer parado com esse som na orelha. Ataca diretamente o sistema nervoso e rebolante.

'Cardume de volume', o último single lançado neste ano, trás a participação da funkeira Deise Tigrona apresentando um funk carioca com inúmeras influências e referências, que vão desde o tango argentino ao próprio batidão do funk carioca.

O bom do 'Muntchako' é isso. São tantas influências e casam tão bem, que parece que sempre houveram misturas como essas de funk com tango, ska com salsa e muito mais que vem por ai. É que os meninos do 'Muntchako' vão lançar todas as faixas como single assim que forem ficando prontas.

Quem não conhece, não perca tempo e pare tudo que está fazendo para conhecer essa banda.

2015 Coqueirnho Verde + Cardume de Volume Eps

1. Coqueirinho verde
2. Cardume de volume (+ Deise Tigrona)

domingo, 20 de dezembro de 2015

CARIMBÓ E SIRIMBÓ COM DIRIMBÓ

Banda recifense coloca o tempero paraense no caldeirão de ritmos brasileiros que fervilha na capital pernambucana.

A banda 'Dirimbó' é formada em Recife, por Rafa Lira nos vocais e guitarra, Milla Bigio nos vocais e percussão, Vitor Pequeno na guitarra, Mário Zappa no baixo, Bruno Negromonte na percussão e Alberto Ramsés na bateria.

Com influências latinas dos ritmos que permeiam a cena musical do estado do Pará, a banda apresenta um som dançante no melhor estilo das lambadas, do merengue, carimbó, sirimbó e todos aqueles ritmos sabrosos e calientes que fazem o povo bailar “hasta romper el coco”.

Com quatro canções inspiradas, a banda apresenta o som dançante que viaja desde o Pará a Pernambuco. A primeira faixa, 'Selfie', brinca com o avanço da tecnologia em detrimento ãs relações sociais e amorosas.

'A noite não é minha' apresenta um merengue sensacional enquanto 'Cacarimbó' arrasa no carimbó. 'Cabousse' encerra o EP com uma lambada deliciosa. Não saia de casa antes de baixar essa pérola...

2015 Dirimbó EP

1. Selfie
2. A noite não é minha
3. Cacarimbó
4. Cabousse

domingo, 13 de dezembro de 2015

DE QUANDO O AXÉ DA BAHIA ENCONTRA COM O ASÉ DA NIGÉRIA

Banda baiana faz intercâmbio entre Salvador na Bahia e Lagos na Nigéria, através da mistura entre diversos ritmos e o afrobeat.  


O 'Ijexá Funk Afrobeat' é uma banda de Salvador, que faz uma mistura homogênea entre a cultura brasileira e o afrobeat.

O 'I.F.Á. Afrobeat' é formado por Jorge Dubman na bateria, Fabricio Mota no baixo, Átila Santtana e Prince Ádamo nas guitarras, Alexandre Espinheira na percussão, André T. nos teclados, Normando Mendes no trompete, Ráiden Coelho no sax, Hugo Sanbone no trombone e Ton Carvalho no sax barítono.

A eles se juntou a cantora nigeriana Veronny Okwei Odili para lançarem o EP 'I.F.Á.' com produção de André T. e arranjos e composições coletivas. A banda segue a linha instrumental, mas o casamento com a voz de Veronny se tornou inevitável. A voz

Todo potencial sonoro do 'I.F.Á. Afrobeat' é revelado logo na capa do EP, com arte de Lemi Ghariokwu, o mesmo que fazia capas dos álbuns de Fela Kuti, e que neste caso apresenta o conceito pan-africanista e afrofuturista, com elementos tradicionais da cultura yorubá e da cultura africana. “As listras coloridas representam o encontro entre as culturas Nigeriana e Afro-Brasileira e o diálogo entre elas. Os círculos concêntricos simbolizam a vida como um ciclo contínuo”, como afirma o próprio Lemi.

“Sinto, firmemente, que o objetivo e sua relevância é inspirar Afro-Brasileiros e outros Africanos Diásporos a compreender que trabalhando juntos e ajustando nossas mentes para a África criamos um nobre caminho para alcançar o sonho de liberdade eterna e da auto realização para a unidade e progresso últimos”, encerra Lemi.

2015 I.F.Á. Afrobeat + Okwei V. Odili EP

1. Afrofunk revolution
2. Suffer
3. Afro woman
4. Ebenezer
5. Axé!

domingo, 6 de dezembro de 2015

ABEOKUTA MOSTRA QUE O AFROBEAT TAMBÉM VIVE EM PERNAMBUCO

Banda pernambucana adere ao afrobeat e entrega uma homenagem a capital da Nigéria com o nome de 'Abeokuta Afrobeat'.



O afrobeat foi criado na Nigéria por Fela Kuti e Tony Allen, que ainda vive e recentemente fez intercâmbio com alguns artistas brasileiros. Quem também fez incursões em terras tupiniquins foi o guitarrista Oghene Kologbo, que já tocou com Fela Kuti e também com Tony Allen.

Esse ritmo é a mistura das batidas tradicionais da Nigéria com o jazz e o funk – o que criou um ritmo totalmente diferente, o afrobeat. Esses toques tradicionais também vieram nos navios negreiros e é por isso que o afrobeat parece uma evolução natural de outros ritmos brasileiros.

O afrobeat casa perfeitamente em qualquer ritmo brasileiro e é por isso os músicos que fizeram parte desta revolução são aclamados quando visitam nosso país. Tony Allen já gravou com uma galera da pesada e Oghene Kologbo também deixou fortes impressões nos artistas brasileiros.

Foi esse o caso da galera de Pernambuco que forma o 'Abeokuta Afrobeat': Jedson Nobre no baixo, Chico Farias e Pedro Drpe nas guitarras, Hood Rocha nos teclados e voz, Diego Drão no órgão, Miguel Jorge na voz, Beto Bala na bateria, Samuel Negão na percussão, Parrô Mello no sax barítono e Márcio Oliveira no trompete – com participações em disco de Fabiano Lima na percussão, Deco Santos no trombone, Kevin Jack no trompete e Elci Ramos no sax.

Com quatro faixas, o 'Abeokuta' apresenta o afrobeat com influências brasileiras que vão desde o óbvio maracatu ao afoxé. Que oxalá ilumine o caminho destes guerreiros sensacionais! Uma verdadeira viagem aos mantras musicais do afrobeat brasileiro. O afrobeat é nosso!

2015 Agô EP

1. Agô
2. Mr. Job
3. Lessimí
4. Orunmilá

domingo, 29 de novembro de 2015

AEROMOÇAS E TENISTAS RUSSAS EM TRAJES ESPACIAIS

Banda de São Carlos (SP) segue caminho autoral de composições instrumentais cheias de experimentações, climas densos e espaciais.



A banda 'Aeromoças e Tenistas Russas' é mais um expoente do cenário da música instrumental autoral brasileira. Eles fazem um som espacial e experimental cheio de nuances e sofisticações melódicas.

Formada por Juliano Parreira no baixo, Gustavo Palma nos sinths e samples, Eduardo Porto na bateria e Gustavo Koshikumo na guitarra – eles são um quarteto que forma uma parede sonora de texturas e pedradas na orelha.

O terceiro álbum da 'ATR', que é a forma de abreviar o extenso nome da banda, foi produzido por Zé Vito e Marcos Scian e tem ainda as participações de Donatinho nos synths e rhodes, Pedro Selector no trompete e Rodrigo La Rosa nas percussões.

O conceito do álbum é permeado por viagens temporais, pela evolução e por avanços tecnológicos. 'Positrônico' dá o nome ao disco e foi baseado no cérebro dos robôs autômatos das novelas espaciais de Isaac Asimov.

Com clima futurístico a banda apresenta um álbum coeso, mas cheio de experimentações sonoras. Ao vivo a banda se apresenta com projeções especiais feitas pela VJ Ya B. Dealer. “A idéia do show do 'Positrônico' é trabalhar mais a luz do palco, de acordo com o conceito do disco e a intenção de cada som”, revela o bateirista Eduardo Porto.

O álbum da banda 'ATR' é uma pedrada sonora cheia de referências ao cenário de ficção científica, que vão desde a menção do ano '2036', a personagem de 'Star Trek' 'Uhura' e ao 'Nautilus' que é o nome do submarino do Capitão Nemo da obra de Julio Verne. Imperdível!

2015 Positrônico

1. 2036
2. P2p
3. Lovejoy
4. Leavitt
5. Baghdad battery
6. Uhura
7. Kamaq
8. Peyote
9. Nautilus
10. Umami

domingo, 22 de novembro de 2015

QUANDO OS GUARANIS DOMINAVAM A TERRA

O 'Supercordas' dá continuidade ao universo bucólico rural através do futuro utópico de grandes possibilidades da 'Terceira Terra'. 


'
Terceira Terra' é o nome do terceiro álbum do 'Supercordas'. Foi precedido por uma longa estrada iniciada com os EPs 'A Pior das Alergias' e 'Satélite no Bar' – de 2003 e 2005 respectivamente – e depois pelos álbuns que sempre seguiram uma linha narrativa entre si.

A banda é formada atualmente por Bonifrate, Valentino, Giraknob e Gabriel Ares, mas todos eles já participaram desta saga psicodélica iniciada com os 'Seres Verdes ao Redor' em 2006, seguida por 'A Mágida Deriva dos Elefantes' de 2012 e encerrada agora com a 'Terceira Terra'. O fato é que os três álbuns seguem uma linha de eventos que fazem deles o início, o meio e o fim.

Enquanto o primeiro disco descrevia o universo em que vivemos pelo rural bucólico – ou como o “sertão”, numa analogia direta com 'Os Sertões' de Euclides da Cunha – o segundo viajava pelo percurso e trazia certa urbanidade – ou mencionava o “homem”, usando a mesma analogia.

A 'Terceira Terra' é a luta – um disco que preconiza um mito do universo Guarani, que fala de um mundo dividido entre outros mundos, o primeiro sendo dos Deuses, o segundo a Lama dos homens e o terceiro aquele almejado pelas pessoas – o paraíso.

A volta às origens que há tanto tempo está na mente dos homens – bem lá no tempo em que os índios dominavam a terra. Pois é essa a verdadeira Terra a que se refere o título do álbum. Neste caso, o fim precede a aurora. A 'Terceira Terra' representa a união entre o rural e o urbano e a aceitação dos dois ambientes como partes fundamentais e complementares do homem e ao homem.

Enfim, um disco novo do 'Supercordas' é um convite a uma viagem interdimensional daquelas que você segue flutuando num universo psicodélico habitado por 'Sapos Alguimicos', 'Anões da Vila do Magma', 'Substâncias Cósmicas' no 'País das Libélulas'. Imperdível!

2015 Terceira Terra

1. Fundação Roberto Marinho blues & Co.
2. Sobre amor e pedras
3. Maria
4. Colunas
5. Itinerarium extaticum in temporalibus
6. Primeira Terra
7. Sinédoque mulher
8. Ipubiara
9. Espectralismo ou barbárie?
10. Segunda Terra
11. Terceira Terra


domingo, 15 de novembro de 2015

JUÇARA MARÇAL É A MAIOR CANTORA DO BRASIL ATUAL

A cantora paulitana Juçara Marçal se une ao experimentalismo de Cadu Tenório, Kiko Dinucci e Thomas Harres.  


Como se não bastasse ter apresentado o melhor álbum do ano, 'Encarnado', a cantora Juçara Marçal lançou junto com a banda 'Metá Metá', o EP com duas faixas inéditas e uma regravação da banda punk de São Paulo, 'As Mercenárias'.

Com o guitarrista Kiko Dinucci, que é parceiro da cantora na banda 'Metá Metá, Juçara lançou o álbum 'Abismu', também com a participação do bateirista Thomas Harres. Esse disco é recheado de experimentalismos e ruídos perturbantes.

Já com o produtor musical e músico experimental carioca, Cadu Tenório, a cantora lançou o álbum 'Anganga', no qual os dois apresentam reinterpretações contemporâneas de cânticos recolhidos por Aires da Mata Machado Filho, de São João da Chapada, Diamantina (MG). Além de também mostrarem cantos do congado mineiro.

'Anganga' quer dizer “reverência aos mais velhos”. Os 'Cantos' presentes no álbum foram gravados no álbum 'Canto dos Escravos' de Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca da Portela.

'Anganga' é um álbum mais melódico que o petardo 'Abismu' – mas ambos mostram a versatilidade da cantora Juçara Marçal que com três lançamentos se firma com uma das maiores vozes da atualidade.

2015 Angangá (+ Cadu Tenório)

1. Eká
2. Canto II
3. Grande Anganga Muquixe
4. Canto III
5. Canto VI
6. Canto VII
7. Taio
8. Candombe – Ia cacundê iauê


2015 Abismu (+ Thomas Harres + Kiko Dinucci)


1. Abismu

domingo, 8 de novembro de 2015

O TOQUE GROSSO DE LINIKER TE TRANSPASSANDO

Cantor paulista emerge na cena musical com personalidade e apresenta o legítimo balanço do samba-rock.



Liniker Barros despontou no cenário musical como uma voz em um milhão – através dos videos gravados em 2013 onde ele aparece cantando em parceria com Lara de Oliveira em 'Crazy for you' de Adele, Murilo Moretti com '93 million miles' de Jason Mraz e cantando solo em '93 million miles' de Alicia Keys – há também o clipe para a canção 'Pra ela', que parece ter sido o marco na trajetória do cantor.

Pois foi após essa canção autoral que nasceu o projeto onde Liniker incorporou de verdade o personagem protagonista de suas próprias canções. Surgia assim o Liniker arrasador que gravou o recente EP 'Cru' – de forma colaborativa, com grandes profissionais do cenário de Araraquara, no interior do estado de São Paulo.

E assim.... A olhos vistos... Liniker maturou a figura arrasadora que se apresentou “mitando” e “lacrando” o cenário musical brasileiro com todo o suíngue malemolente que emana das canções 'Louise du Brésil', 'Caeu' e 'Zero' – ouça também a versão acústica - todas presentes no EP 'Cru'.

Liniker cantou, mas quem tocou foi Willian Zaharanszki na guitarra, Márcio Bortoloti no trompete e trombone, Paulo Costa no baixo, Rafael Barone no baixo e guitarra, Guilherme Cardoso na bateria e nos backing vocals Barbara Rosa, Ekena Monteiro e Renata Santos. Já quem fez produção e captação dos vídeos foi Leila Penteado, Nivaldo Dakuzaku, Paulo Delfini e Breno Rodrigues de Paula – com captação do áudio e edição de André Guines, da gravadora GomaInc SP.

Mas como bem diz na entrada do site – podemos esperar um novo álbum para um futuro próximo, mas com esse delicioso aperitivo – segue uma conversa com o próprio Liniker....



Como foi o seu começo na música?
Eu comecei por uma grande influência familiar. Os meus tios são músicos, e sempre tocavam samba em casa. Eu acordava e já estava rolando a cantoria, então isso me deu um gás pra querer trabalhar com música. Minha mãe me apresentou todos os clássicos da black music que ela curtia e o samba rock, que é uma paixão dela, e agora minha, e eu fui sentindo o quanto essas referências me instigavam e faziam sentido pra mim. Então não teve como fugir, a música me pegou de jeito e está sendo muito generosa comigo. A primeira vez que eu cantei, eu estava na sexta série, e ter cantado ali, me levou para um outro lugar. Era amor mesmo.

Você se apresentava como Liniker Barros e em um dado momento deixou o Barros de lado e passou a assinar apenas Liniker.... Porque deu-se essa mudança?
Eu não deixei o Barros (risos), Liniker sempre esteve ai. Mas agora, com o passar dos anos e das experiências, eu percebo que ele chega mais evidente e à vontade. Eu venho me permitindo desconstruir e construir o tempo, então é como se agora eu entendesse coisas em mim e no meu trabalho, que eu não tinha dimensão ainda, por uma questão de maturidade. Tem muita coisa pra ser revista e experimentada, mas acho que à partir do momento que eu me permiti ser quem eu queria ser, o meu trabalho ganhou uma outra potência. Eu estou vestido daquele jeito no vídeo, porque é como eu sou e me sinto tranquilo no meu dia-a-dia. Eu precisava ser inteiro para o meu trabalho chegar como eu acredito, nas pessoas. Meu nome também vem por influência de um tio. Ele gostava de um jogador de futebol inglês, e queria que minha mãe colocasse o nome dele em mim. Acho que com isso, ele gostaria que eu fosse jogador também, mas a música me pegou de jeito e cá estou eu (risos).

De onde surgiram essas canções?
Eu comecei a compor com 16 anos, e gostava de escrever sobre tudo, principalmente sobre os meus amores (muitas vezes platônicos) e sobre essas várias formas de amor que a gente sempre vive, e não tem como escapar. Eu sempre fui de escrever cartas pras pessoas, mas nunca entregava. Então encontrei na música uma liberdade pra expressar o que eu sentia, e ainda assim, usar isso como meu trabalho. Acredito ser a forma mais natural de mostrar quem eu sou e o que eu sinto.

Quais foram tuas principais influências? O que você anda ouvindo no iphone? Ipod, player etc.
Eu sou tarado em todas as coletâneas da Etta James, amo a Nina Simone, o 'Clube do Balanço', a Aretha Franklin, Bebeto, Cartola, Caetano, Gal Costa, Gilberto Gil. Eu gosto muito da nossa música, ouço muita música de raiz africana também. Ultimamente eu tenho ouvido os àlbuns do 'Aláfia', o 'EP' bafo da Tássia Reis , a linda da Dona Onete, o 'Dancê' da Tulipa Ruiz.

O quanto do ator existe no cantor? Ou é vice-versa?
Eu acho que os dois tem caminhado muito juntos. Ser musico me ajuda na sensibilidade para criar enquanto ator, e ser ator me ajuda a entender o que eu estou passando enquanto intérprete. Eu não tenho diferenciado mais. Tenho aceitado que as duas coisas juntas são ótimas e tenho seguido assim.

Essa é a banda que vai atuar ao vivo?
Sim! Essa é a banda que estará nos shows ao vivo. Quem assume a bateria do projeto nessa nova fase de circulação, é Péricles Zuanon, músico araraquarense também. O nome da banda é 'Caramelow's'. Vai ser um groovão ao vivo e a cores. Liniker e os 'Caramelow's' botando esse “Brésil” pra swingar gostoso (risos).

Quanto aos downloads gratuitos?
Eu acho que disponibilizar o download gratuito é importante para a nossa circulação e aproximação com o público. Torna o nosso trabalho mais acessível e direto, e chega mais fácil nas pessoas que irão nos ouvir.
Obrigadx!




2015 Cru EP

1. Zero
2. Louise du Brésil
3. Cae

domingo, 1 de novembro de 2015

ROMULO REMANDO DE VOLTA À SIMPLICIDADE DAS CANÇÕES

Cantor e compositor Rômulo Fróes retoma o nascimento da canção com a simplicidade de voz e violão.  

Quem acompanha os lançamentos do cantor e compositor Rômulo Fróes, percebe que sua busca pelos samba-canções pode ter chegado ao fim, com o encontro sublime da voz com o violão.

Com disco inspirado nas vozes femininas que já interpretaram canções do compositor, ele sugere uma homenagem a todas mulheres que entoaram suas tortas letras. Entre elas estão nomes como Elza Soares, que gravou 'Comigo' e 'A mulher do fim do mundo' no álbum de mesmo nome; Mariana Aydar com 'Porto', 'Nada disso é pra você' que a cantora gravou nos álbuns mais recentes da carreira, respectivamente.

Além de Juçara Marçal com 'Queimando a língua' e 'Presente de casamento' que apareceram no álbum 'Encarnado' – sem falar de outros nomes como Nina Becker com 'Flor vermelha', Manuela Rodrigues com 'Uma outra qualquer por ai', Juliana Perdigão com 'Cidade baixa' e Natália Matos com 'Um amor de morrer'.

De forma simples e eficiente, Rômulo apresenta nova versão da própria canção – sempre ecoando a interpretação da cantora original. Incrível como cada obra original permeia todas canções.

2015 Por Elas Sem Elas

1. Porto
2. Flor vermelha
3. Nada disso é pra você
4. Uma outra qualquer por aí
5. Um amor de morrer
6. Presente de casamento
7. Comigo
8. Cidade baixa
9. Mulher do fim do mundo
10. Queimando a língua

domingo, 25 de outubro de 2015

O SELO INSTITUTO APRESENTA O NOVO ÁLBUM VIOLAR

O trio 'Instituto' vira dupla com Rica Amabis e Tejo Damasceno – sem Daniel Ganjaman – que seguem produzindo e apresentando uma coleção de bons sons com inúmeras participações.


O 'Instituto' é um coletivo, selo e grupo de produtores formado por Rica Amabis, Tejo Damasceno e Daniel Ganjaman, que apresentaram uma alternativa de produção para novos artistas da música brasileira.

Foram deles a produção de alguns álbuns de estréia de jovens artistas que hoje são clássicos no cenário musical brasileiro – como os primeiros discos da banda 'Cidadão Instigado', do 'Mamelo Sound System', 'Bonsucesso Samba Clube', de projetos como 'Sonantes', '3 na Massa', 'Turbo Trio' e algumas trilhas sonoras como 'Amarelo Manga' de Cláudio Assis e 'O Invasor' de Beto Brant, e muitos outros lançamentos.

Como trio, o 'Instituto' lançou o álbum 'Coletânea Nacional', com inúmeras participações de grandes nomes da música brasileira – que assim como este novo lançamento, 'Violar', permeiam todas as canções. É impossível descrever o novo álbum da dupla, agora apenas com Rica e Tejo, sem falar das diversas participações especiais.

Abrindo com 'Polugravura', Tejo Damasceno se une ao peso de Dengue e Pupillo no baixo e bateria, com a flauta hipnotizante de Thiago França, para juntos criarem uma abertura com groove delicado e pulsante. A faixa seguinte, 'Vai ser assim' trás Rica Amabis já apresentando no início, a bateria volumosa de Tony Allen, para em seguida desvelar a voz de Criolo – com participações ainda de Lanny Gordin, Junior Areia, Axé, Gustavo da Lua, Fred 04 e Thiago França.

'Alto Zé do Pinho' é uma homenagem da dupla a Chico Science, com participação especial de ninguém menos que o rapper Sabotage – mas ainda com Otto e Sombra – sem falar na instrumentação da banda 'Nação Zumbi'. 'Mais carne' trás três incríveis duplas; das cantoras Karol Conká e Tulipa Ruiz nos vocais, dos produtores Mike Relm (nos scratches) e Alexandre Brasa (que foi a terça parte do Mamelo Sound System – nos teclados) e claro a dupla que forma o 'Instituto' nas programações.

Em 'Na surdina', Rica Amabis trás o belo dueto entre a voz de Jorge Dupeixe com o trompete de Rob Mazurek – e ainda com as participações de Dengue e Luca Reale. Já em 'Bossa Chinesa', Rica se une a Dengue e M. Takara para apresentarem um interlúdio de influências chinesas – programações e teclados, baixo e vibrafone, respectivamente.

'Pacto com o mato' junta Rica com Gui Amabis, Curumin, Marcelo Cabral e Mike Relm. 'Tudo que se move' trás de volta Tulipa Ruiz, Dengue, Lucio Maia e Gui junto com Rica Amabis. 'Seco' trás a rinha entre o rapper gringo Lyrics Born com o brasileiro B. Negão, com as vocalizações de Joyo Velarde. A canção conta ainda com os sopros de Thiago França e o baixo de Klaus Sena – tudo sob a supervisão de Rica e Tejo.

'Ossário' se volta ao oriente ao unir com as programações e arranjos de Rica e Tejo à guitarra de Fernando Catatau, baixo de Marcos Gerez e teclados de Luca Reale. 'Isto é sangue' é a faixa “bom-filho-a-casa-torna”, que conta com a participação de Daniel Ganjaman unido seu teclado às programações de Tejo e Rica. Também tem a voz de Jorge Dupeixe e a guitarra de Kiko Dinucci – que pode antecipar a próxima faixa....

A banda 'Metá Metá' faz sua aparição (e debut) num álbum do 'Instituto', com a canção 'Irôco' – que é um orixá muito antigo representando a própria dimensão do tempo. Com a voz potente e incrível de Juçara Marçal, o violão e guitarra rasgante de Kiko Dinucci, o saxofone viajante de Thiago França, o baixo pontual de Klaus Sena e o solo de guitarra “estupefaciante” de Guilherme Held – com programações de Tejo Damasceno.

Encerrando o disco com 'Baía', a união do 'Instituto' com o baterista nigeriano Tony Allen e com o saxofone, flauta e teclados de Thiago França – as programações são novamente de Damasceno e com a percussão de Maurício Alves.

Quase sem fôlego encerro essas linhas sobre o novo disco do 'Instituto'. Vale a pena baixar e ouvir em alto volume. Se tivesse que definir em apenas uma palavra... Seria, “Incrível!”.

2015 Violar

1. Polugravura
2. Vai ser assim
3. Alto Zé do Pinho
4. Mais carne
5. Na surdina
6. Bossa chinesa
7. Pacto com o mato
8. Tudo que se move
9. Seco
10. Ossário
11. Isso é sangue
12. Irôco
13. Baía

domingo, 18 de outubro de 2015

CHEGA UM TEMPO NA VIDA QUE A GENTE PRESTA ATENÇÃO

O cantor e compositor Clodo Ferreira lança novo álbum delicado e recheado de emoções e canções sublimes.


O novo álbum de Clodo Ferreira evoca o som de Cabo Verde, ao misturar a sanfona delicada de Marcos Farias e o cavaquinho beliscoso de Evandro Barcelos. Tudo isso com o violão pontual de João Ferreira e a percussão marcante de Pedro Ferreira – tudo em casa.

Confesso que passei um tempo ouvindo esse disco e sem saber o que dizer, sentir e comunicar. Até que desisti e dei me sem palavras para expressar este álbum. Mas em dado momento ouvi novamente e percebi que não há recorte pontual, informacional, textual etc e tal que não o emocional.

Com um regional tradicional, Clodo Ferreira reuniu um grupo potente e poderoso com João Ferreira no violão, Marcos Farias na sanfona e Pedro Ferreira na percussão e algumas participações como Davi Farias nos triângulos e Valentino Xavier no cavaco e percussão – que consegue evocar um cenário caboverdiano ao mesmo tempo que permanece tradicional na execução do samba, do xote e do choro.

O disco abre com 'Quem fala de mim', talvez a canção que mais cause esta impressão de estar prestes a ouvir aquele sotaque caboverdiano. Com uma sanfona resfolegada, que mais parece um bandoneon de tango argentino, mas é o cavaquinho que remete ao Cabo Verde. É um duelo bonito de ouvir a sanfona tangueada e o cavaquinho caboverdista. Porra, Evando! Porra, Marquinhos!! Vocês são fodas!!!

'Gostando de mim' é um xote, do Cezinha em parceria com o próprio Clodo – talvez por isso que ela lembre muito o (já) saudoso Dominguinhos... Mas a sanfona no disco, vai ser sempre o querido Marcos Farias, filho do eterno Abdias dos 8 Baixos e Marinês e afilhado do próprio Gonzagão.... E por falar em Dominguinhos, ele é parceiro do Clodo na composição 'Carece de explicação' – uma canção de rara beleza, que transforma o ponteado da zabumba fundamental para a existência da sanfona. Tenha mesmo uma saudade profunda de Dominguinhos!!!

'Iluminuras' reforça a presença do violão de João, assim como em 'Diamantes' – já que ambas são parceria de Clodo com o Carlinhos 7 Cordas – mas a canção 'Serenata' também revela a notável vocação para eternizar um legítimo regional de choro com sanfona, cavaquinho, pandeiro e violão. De chorar até amanhecer de tão bonitas e singelas são essas canções – a suíte-choro do álbum.

'Guardião' é um samba de Clodo em parceria com o sambista Sergio Magalhães e funciona como ponto de virada do álbum – a partir de agora seguimos para o lado B, o final do disco, o encerramento da obra. 'Não espere' volta à temática caboverdiana com esse mesmo regional que mandou um samba na faixa anterior....

'Agora é fácil' retoma a batida apresentando um lado modernoso de Clodo, falando de celular e amores próximo, em parceria com Evaldo Gouveia. O encerramento dá-se com o xote 'Laço'. Que disco lindo esse, Clodo!!! Sem palavras para agradecer por este disco que nasceu clássico.

É com alegria e prazer que eu permito que este álbum seja recebido por todos que querem a música livre, leve e solta...

2015 Clodo Ferreira

1. Quem fala de mim
2. Gostando de mim
3. Iluminuras
4. Carece de explicação
5. Serenata
6. Diamantes
7. Guardião
8. Não espere
9. Agora é fácil
10. Laço

domingo, 11 de outubro de 2015

KARINA BUHR VEM DA SELVA DE DENTRO

O novo álbum de Karina Buhr é perfeito para todas princesinhas bonitinhas que gostam de borboletinhas e coisinhas fofinhas.  


Karina Buhr tem um discurso contundente anti-machista em favor de todo e qualquer tipo de gênero excluído. Ela é da turma das travestis, das maloquêras e das mulheres-sem-valor.

Ainda hoje no Brasil a mulher é vítima e em muitas vezes fatal. Segundo o Mapa da Violência de 2012, duas em cada três pessoas atendidas em decorrência à violência doméstica são mulheres. Por isso Karina apresenta uma delicadeza na forma de um rolo compressor e lança uma verdadeira cartilha ensinando a enfrentar leões, como diz a letra da faixa de abertura, 'Dragão'.

Neste álbum, 'Selvática', e é necessário explicá-lo detrás para a frente. Karina relaciona a liberdade das mulheres com a vida selvagem dos animais – assunto que fica bem exemplificado na canção que encerra o disco, com parceria nos vocais de Elke Maravilha e Denise Assumpção.

Já em 'Eu sou um monstro' a cantora revela a possibilidade de metamorfosear todas princesas em monstros instigando-as a deixarem a apatia de lado e se transformarem. Em 'Conta gotas' a cantora permanece no discurso instigante, com a participação de Guizado no trompete.

Karina Buhr expõe todo machismo em 'Pic nic' e 'Esôfago', com a poética do que as mulheres precisam suportar ainda hoje. Sempre com a guitarra rasgada de Edgard Scandurra e o baixo marcante de Mau. “Eu também prefiro coisas”, parece um grito de guerra de libertação sufragista.

Mas há também espaço para falar sobre diferenças sociais como em 'Cerca de prédio', com participação dos 'Devotos', Cannibal, Celo Brown e Neilton. Karina apresenta um álbum recheado de guitarras com Fernando Catatau em 'Vela e navalha' – ainda com Vitor Rice no violoncelo – e Manoel Cordeiro em 'Rimã' – os dois se apresentam juntos no reggae-dub-calipso 'Alcunha de ladrão'.

Karina ainda apresenta em dueto com Laura Lavieri, a canção 'Desperdiço-te-me' e sem desperdício ela mostra os peitos e joga o preconceito de volta na cara dos caretas. “Ela vem da selva de dentro”. A banda dela ainda conta com Bruno Buarque na bateria, percussão e mpc e André Lima nos sintetizadores e teclados.

Oxalá todas princesas um dia virassem Selváticas e chutassem o príncipe machista e almofadinha – porque a revolução das Selváticas já começou...

2015 Selvática

1. Dragão
2. Eu sou um monstro
3. Conta gotas
4. Pic nic
5. Esôfago
6. Cerca de prédio
7. Vela e navalha
8. Rimã
9. Alcunha de ladrão
10. Desperdiço-te-me
11. Selvática

domingo, 4 de outubro de 2015

IRINA E SUAS GAROTAS SUECAS

No terceiro trabalho, a banda 'Garotas Suecas' apresenta o EP 'Mal Educado', que mostra a diversidade do próprio repertório.  



'Garotas Suecas' é uma banda com apenas uma garota, a Irina Bertolucci nos teclados e vocais, mas tem também o Tomaz Paoliello nas guitarras e vocais, Fernando Perdido no baixo e vocais e Nico Paoliello na bateria e vocais; e neste EP com participação de Matheus Prado na percussão, Fábio Pinczowski nos vocais, Anderson Quevedo no sax alto, Daniel Nogueira no tenor e Felipe Nader no barítono.

Logo na primeira canção de Tomaz Paoliello, 'Turno Noturno', você percebe a qualidade dos arranjos e da gravação, com destaque para a execução de Irina. Pois em 'Me erra', Irina e suas 'Garotas Suecas' apresentam uma deliciosa balada popular que tem tudo pra virar tema da mocinha na novela das sete.

Mas essa mensagem não ia colar na boca de uma mocinha direitinha e quietinha que precisa estar casada para ser feliz.... Muito pelo contrário.... Só o título já entrega.... É o famoso “não me segue que eu não sou novela”. 'Me erra' é de autoria de Fernando Freire.

O EP encerra com 'Mal educado', de Nico Peoliello, onde as 'Garotas Suecas' mostram o que fazem de melhor – o bom e velho funk dançante, balançado e suingado com os incríveis metais ideiais em uníssono soprando todo aquele groove esperto e maneiro....

Enfim... Diversão garantida é esse EP das 'Garotas Suecas'.

2015 Mal Educado EP

1. Turno noturno
2. Me erra
3. Mal educado

domingo, 27 de setembro de 2015

O JAPÃO NA VISÃO DE RODRIGO CAMPOS

Cantor e compositor brasileiro segue em movimento desde São Mateus (SP), no primeiro álbum, passando pela Bahia, no segundo, e indo ao oriente neste disco recém-lançado.


Em 'Conversas com Toshiro', Rodrigo Campos apresenta sua viagem particular ao universo japonês, desde mangás, atores e cineastas, desenhos de Hayao Myiazaki aos livros de Haruki Murakami.

Tudo funciona como estopim para o cantor e compositor apresentar canções sublimes que parecem evocar com delicadeza o percurso iniciado nos álbuns anteriores – 'São Mateus não é um Lugar Assim tão Longe' de 2009 e 'Bahia Fantástica' de 2012.

O novo álbum reforça a ideia do mapa imaginário criado por Rodrigo, onde tanto São Mateus, Bahia e o Japão vivem dentro de si – ou melhor, das canções. Desde o primeiro disco de 2009, que evocava o bairro natural, Rodrigo carrega em si a geografia sentimental de suas referências. Seja nas canções nostálgicas refletindo a jovialidade de São Mateus, as influências presentes na arte de baianos ilustres como Caymmi, Caribé e Amado; e agora com as referências a cultura pop japonesa.

Tem as canções que remetem a cinematografia através da referências a artistas como o ator Toshiro Mifune, os diretores Takeshi Kitano, Ozu Yasujiro e Wong Kar-Wai – apenas para mencionar as referências mais óbvias.

Como uma ópera oriental, Rodrigo desfila personagens como Asayo, Katsumi e Funatsu, ao invés de gente como Isac, Lúcia, Aninha, Elias e Fabrício. As imagens enigmáticas do oriente são traduzidas nos arranjos que evocam sempre o país-do-sol-nascente.

Rodrigo Campos toca guitarra e canta em todas composições, com participações de Ná Ozzetti e Juçara Marçal nos vocais, Marcelo Cabral no baixo, Curumin na bateria e Thiago França – com Dustan Gallas nos teclados e guitarras pontualmente em algumas faixas.

Produzido pelo próprio Campos e Rômulo Fróes, o disco é dividido em duas partes – a primeira parte é 'Amor e Brutalidade' e traduz uma urgência pelo arranjo coeso e rigoroso, sempre evocando a música oriental na vocalização das cantoras... Em 'Dois sozinhos', há o belíssimo diálogo entre as duas vozes femininas e o saxofone de Thiago França.

A segunda parte, 'Paisagem na Neblina', evoca a delicadeza dos rituais orientais através de faixas em que permeiam arranjos de cordas, como 'Abraço de Ozu'; e de sopros como em 'Toshiro reverso', 'Veho amarelo' (gravada por Juçara Marçal ano passado) e 'Toshiro vingança', que junto com a canção 'Katsumi' demonstram letras recheadas de erotismo e simbologia.

'Mar do Japão' revive o cenário do tsunami que arrasou o país, sem deixar a brasilidade de lado. 'Paisagem na neblina' tem a participação de Filipe Castro tocando o fagote – ele também participa da canção 'Chiriro' – que evoca ecos do estúdio Ghibli, através da personagem principal de 'A Viagem de Chiriro' de Hayao Myiazaki, filme que venceu o primeiro Oscar de animação.

As canções 'Funatsu', 'Wong Kar-Wai' e 'Takeshi e Asayo' estão incluídas na primeira parte do álbum e por consequência são mais densas e de arranjos mais tensos – sem nunca esquecer o clima oriental do cancioneiro japonês. 'Dono da bateria' encerra o disco com Rodrigo apenas em voz e violão, em uma canção de Rômulo Fróes e Nuno Ramos.

'Conversas com Toshiro' de Rodrigo Campos se sustenta como um dos melhores lançamentos do ano, com mais um dos grandes discos da nova discografia popular brasileira. Imperdível.

2015 Conversas com Toshiro

1. Takeshi e Asayo
2. Wong Kar-Wai
3. Katsumi
4. Dois sozinhos
5. Funatso
6. Abraço de Ozu
7. Chiriro
8. Toshiro reverso
9. Mar do Japão
10. Paisagem na neblina
11. Toshiro vingança
12. Velho amarelo
13. Dono da bateria

domingo, 20 de setembro de 2015

A LÍNGUA LAMBE O LÍQUIDO DO LÂNGUIDO LÁBIO LUSTROSO

Encerrando a trilogia de EPs, a cantora, compositora e percussionista pernambucana Alessandra Leão apresenta mais cinco canções.


Apresentado um som mais popular, que os EPs anteriores, Alessandra Leão encerra a trilogia iniciada desde o ano passado com 'Pedra de Sal' e 'Aço'. Com o EP intitulado 'Língua', ela dá voz a palavra, sem esquecer dos arranjos arrasadores.

'Pássaros, mulheres e peixes' revela a bela parceria entra a cantora e o escritor Xico Sá – com uma levada suave e delicada feita “para entender como bate um coração de uma mulher” – com a participação mais que especial de Ná Ozzetti nos vocais. A canção seguinte, 'Joguei minha palavra n'água' parece irmã gêmea de 'Prolonga', do EP anterior, 'Aço', lançado em junho deste ano. Segue com um suingue imperdível e arranjos sensacionais.

'Língua' dá a leve impressão de que será uma canção bem comportada, mas eleva a libido ao nível luxúrico e transborda de malemolência e fuleiragem – sempre com aquela pegada característica, suja e pesada do pessoal de sampa – com produção de Rodrigo Caçapa, mas recheado de ilustres participações como Guilherme Kastrup na bateria e percussão, Mestre Nico nas percussões, Milionário José no baixo e synths, Rafa Barreto nas guitarras junto com Caçapa, que também toca uns synths aqui e ali.

'Na minha boca' é mais uma parceria da cantora com Kiko Dinucci, que toca guitarra na faixa junto com Thomas Harres na bateria. Essa canção trás um groove matador pontuando uma letra fervente de tão temperada de saliva, suor e tesão. 'Doutrina de Oxum' é uma toada tradicional do 'Tambor de Mina do Maranhão', emendada com 'Caudaloso', da cantora com letra de Wilson Freire e uma cama de sintetizadores de Caçapa, que é de entortar a cuca.

Profundo é o novo disco de Alessandra Leão... Não havendo a necessidade de relançar os discos derramados, resta-nos o singelo pedido para que sejam relançados em vinil.

2015 Língua EP

1. Pássaros mulheres e peixes
2. Joguei minha palavra n'água
3. Língua
4. Na minha boca
5. Doutrina de Oxum – Caudaloso

domingo, 13 de setembro de 2015

DE COMO OS RIOS VOADORES FLUTUAM NAS ASAS DA GAIVOTA EM MEIO AOS POSTULADOS CATEDRÁTICOS E INSOLÚVEIS

Banda brasiliense 'Rios Voadores' emerge no cenário musical com gravação emulando a psicodelia brasileira dos anos 70.  


Nasceu assim de repente e flutuando no meio do cenário desértico da Capital da República, a banda 'Rios Voadores' tomou de assalto o cenário brasiliense e mostrou que havia vida psicodélica no cerrado. Eles apareceram para o público em geral, com uma performance arrasadora no Festival 'Porão do Rock'.

Primeiro eram Gaivota Naves, Marcelo Moura e Tarso Jones tocando e descobrindo-se dialogando através de diversas influências como 'Som Nosso de Cada Dia', 'Casa das Máquinas', 'Som Imaginário', 'O Terço', 'O Peso', 'Perfume Azul do Sol', 'Modulo 1000', 'Os Brazões', 'Os Baobás', 'Ave Sangria', Lula Côrtes, 'Almôndegas', 'Fábio', 'Serguei' etc.

Para Gaivota, a banda “propõe um resgate das sonoridades dessas bandas de rock psicodélico brasileiro, principalmente as da década de 70 e por ai vai, a lista é infinita e passa pelo hard, prog, rural, pelo forró e groovie”. Marcelo Moura admite as mesmas referências, e acrescenta que “as divergências até trazem uma coisa interessante pro resultado. Eu mesmo tenho uma ligação muito forte com o jazz, com a bossa, com a 'Tropicália'. Tem uns que nem de 'Pink Floyd' gostam, e por aí vai”.

Aos três, Moura na guitarra, Gaivota nos vocais e Jones nos teclados e vocais, se juntaram Helio Miranda na bateria, Beto Ramos no baixo e Gabriel Magalhães também na guitarra – ele chegou a compor algumas canções com a banda – como é o caso de uma das faixas deste EP, a sensacional 'Brasil de ponta cabeça', em parceria com Gaivota.

A outra canção, 'Barnabé Itamar Produções' foi feita entre Jones, Moura e Viviane Yanagui – essas duas canções estão no recém-lançado EP com produção de Thomas e Gustavo Dreher, no estúdios Dreher em Porto Alegre (RS).

A banda já está finalizando o primeiro álbum, mas Moura afirma que eles têm mais composições para encher outro disco. Enfim... Aproveite você para conhecer um novo som antigo que é uma das bandas mais legal dos últimos tempos. Você precisa ver a performance da cantora Gaivota...

E aproveitando o ensejo seguem quatro perguntas para Gaivota Naves.


Como é sua formação artística?
Olha, eu sempre cantei mas assumi os trabalhos artísticos oficialmente em 2001 quando comecei a estudar teatro, atuei durante 10 anos com vários diretores fantásticos de Brasília e através dessa experiência de palco a musica acabou surgindo de forma natural. Foram várias jams na minha casa o que me levou a ser versátil, fora o fato de tocar quase todos os dias com o Tarso (tecladista) e com o Marcelo (guitarrista). Quando começamos a pegar palco com a banda tudo foi crescendo e sinto que esse é só o inicio de uma jornada de muito estudo e dedicação.

De onde vem tanta energia?
Hahaha não sei. Acho que o lugar onde a gente se sente à vontade potencializa a energia. Eu realmente amo estar no palco, estar com os 'Rios', criar esses espaços musicais onde todos estão conectados de uma forma única, num só respiro, daí quando acontece eu fico louca, rs.

Você se considera mais cantora ou atriz?
Eu sou intérprete, Há! Não tem como dissociar uma coisa da outra, rs. Trabalhar muito tempo como atriz transformou o palco em um lar, o que me deixa muito à vontade e gera vários tipos de performances interessantes. Para mim as composições tem vontades próprias, são elas que ditam como querem sair e eu nada posso fazer se não obedecer. Acredito que isso é o que traz esse magnetismo!

Como vocês lidam com os downloads gratuitos?
Acho super bom, o trabalho autoral ganha muito mais espaço nas mídias sociais e principalmente os trabalhos independentes, que não possuem a ajuda dos selos. Acredito que quem escuta online e gosta do som faz questão de comprar o disco físico.

2015 Rios Voadores EP

1. Barnabé Itamar Produções
2. Brasil de ponta cabeça

domingo, 6 de setembro de 2015

ZÉ VITO E SEU BELO BOLERO DELIRANTE

Zé Vito apresenta novo álbum de canções populares em diversos ritmos como rock, reggae, blues, bolero e até modão caipira.  


Zé Vito é Vitinho e é também conhecido por Victor Gottardi, e entre tantos personagens segue diferenciando o Victor do Zé Vito. Esse último é o cantor e compositor, enquanto o Vitinho segue como o guitarrista requisitado em diversos projetos. 

Guitarrista da banda 'Abayomy Afrobeat Orquestra', ele também participa da 'Let`s Play That', que toca com Jards Macalé e acompanha ao vivo gente como CéU, Alvinho Lancellotti e até a fase solo do companheiro de bandas, Leandro Joaquim.

Com uma gravação rápida e instantânea, Zé Vito, apresenta seu novo álbum, 'Pode Ser', ligeiramente diferente do anterior, 'Já Carregou' de 2014. O fato é que o disco anterior refletia um período de composição de alguns anos atrás e este novo álbum apresenta canções compostas recentemente.

A banda que gravou o disco é formada pelo próprio Zé Vito nas guitarras e vocais, e com Thomas Harres na bateria, Pedro Dantas no baixo, Pedro Costa na guitarra e Donatinho nos synths. O disco trás algumas participações como Jayme Monsanto no baixo em algumas faixas e Maurício Calmon na bateria em outras – mas também com Rodrigo Pacato na percussão e o naipe de metais encabeçado por Leandro Joaquim no trompete, Marco Serra Grande no trombone e Thiago Queiroz no saxofone barítono na canção 'Um, dois ou três' – um bolero sentido e caliente.

Neste álbum, Zé Vito trás duas participações vocais como Otto, que canta e ajudou a criar a letra da canção que intitula o disco, 'Pode ser', e Duda Brack na canção 'Nova rota' – ambas são blues e rock, respectivamente. Destaque também para o reggae meio-dub e meio-ska de 'Não te interessa'.

O disco 'Pode Ser' está recheado de pérolas pop-rock, como em 'Salvação', 'Discreto' e 'Ex'. Mas também há espaço para algumas baladas como em 'Pode ir' e 'Pensa em outra'.

Com produção do próprio Zé Vito, exceto na última faixa 'Raio gourmet', uma moda caipira moderna bem humorada que brinca com a onda toda de food-trucks e varandas gourmets – produzida em parceria com Gustavo Benjão, que também participa da canção – composta na parceria que permeia todo álbum, entre Zé Vito e seu letrista Matheus Silva, que também é o responsável pela capa.

Zé Vito também acabou de produzir o novo álbum da banda 'Aeromoças e Tenistas Russas', no qual ele alega ter “uma onda progressiva espacial que não da pra explicar”. E como está difícil acompanhá-lo com toda essa correria, toda essa entrevista abaixo foi pinçada entre diversas mídias, desde e-talks, e-mails, e-zaps e esse-eme-esses.

Com este álbum, Zé Vito apresenta um apanhado de canções preocupadas com a realidade atual e segue descortinando a linha evolutiva de seu próprio cancioneiro.


Olá Zé Vito... Como você consegue conciliar a vida em várias bandas, carreira solo etc?

Salve Brunão! Vou organizando a agenda conforme as coisa vão acontecendo.
Atualmente estou tocando com o Macalé e com a CéU, ambos estão lançando CD e DVD ao vivo.
Toco também no show do Leandro Joaquim, as vezes com o Alvinho Lancellotti... Tem bastante coisa rolando.
Tem a 'Abayomy' que está prestes a lançar o segundo disco, e por aí vai. Eu provavelmente vou focar mais nos show do 'Pode Ser' no ano que vem. Esse ano não vou ter tempo de fazer muita coisa com ele.

Faz tempo que você já está tocando com o Jards, né?

Desde 2012. Ele é um dos caras mais figuras que eu já conheci, cada segundo com ele é uma história nova.
Uma vez a gente tocou em São Paulo com ele e a CéU participou cantando 'Movimento dos barcos', só eles dois, foi massa.

E porque não rolou uma participação do Macalé, no álbum 'Pode Ser'?

Cara, ia rolar, mas eu estava com os prazos muito apertados e não queria fazer nada correndo com ele. Ele tem o tempo dele e tal, aí deixei rolar. Mas vou gravar alguma coisa com ele ainda, sem dúvida.


Neste disco, você chegou no estúdio com tudo pronto. Da mesma forma que o disco anterior... Porque este ficou tão diferente?

Cara, esse disco foi um tanto diferente. O 'Já Carregou' é um apanhado de composições que eu tinha, e algumas que foram feitas durante o processo. Gravei em estúdios diferentes e em tempos diferentes, o que tira um pouco a unidade do disco.
O 'Pode Ser' é um disco muito fresco. Eu resolvi fazer um disco, fui lá e fiz 10 canções de uma vez, nove delas em parceria com Matheus Silva, amigo com quem eu componho ha quase 10 anos.
Eu achava que tinha que extrair o máximo de mim possível, para o disco ter muito a minha cara, então montei os instrumentos na sala da minha casa e gravei as 10 músicas sozinho, baixo, bateria, guitarras e vozes.
Depois que cheguei a conclusão do que eu queria sobre os arranjos, eu marquei as datas no estúdio do Maurício Calmon, que toca comigo nos shows, na 'Abayomy' e era o batera do 'Sobrado 112'.
Marquei quatro dias de gravações e escolhi dois times, um com o Thomas Harres na batera e o Pedro Dantas no baixo, e outro com o próprio Maurício na batera e o Jayme Monsanto no baixo.
Thomas e Pedro são a cozinha da Abayomy, Macalé, e inúmeros outros projetos, tem uma liga muito forte, e o Maurício e Jayme são minha cozinha nos shows, tem uma química muito boa e uma sonoridade própria.
As guitarras ficaram a cargo meu e do Pedro Costa, que toca também no disco do Alvinho Lancellotti. Donatinho colocou os Synths no estúdio dele, o Synth Love.
Foi tudo feito em quatro dias e os arranjos ja estavam bem definidos por mim, por isso o disco tem essa unidade.

Tudo aconteceu rápido demais, né? Gravou ontem e já lançou hoje...

E o Martin Scian, que mixou e masterizou também é um foguete, fez tudo em 15 dias.
Já estávamos com a data da mix marcada, e eu tive que correr com a gravação para que os prazos funcionassem.
Sobre lançar, eu cheguei a conclusão que não adiantava segurar o disco pro ano que vem ou ficar criando expectativa nas pessoas. Ora, eu não sou um artista famoso, não tenho milhões de seguidores, e acho que as pessoas não estão esperando meu disco, então, achei melhor solta-lo logo e foda-se tudo, o que importa pra mim é o trabalho estar na rua, as pessoas podendo ouvir e etc.
Eu faço meus discos pra mim e pra quem curte meu som, então é isso.


Como foi que você chegou nas participações especiais?

Cara, eu sou muito fá do Otto. Acho ele um puta poeta, compõe muito bem, é um canal muito espontâneo. Adoro os discos dele, a sonoridade, enfim...
Através da 'Abayomy' eu conheci ele, tocamos juntos várias vezes, nos shows da 'Abayomy' que ele participou, e algumas vezes no Macalé. Também fizemos um show dele no Vidigal, com a cozinha da 'Abayomy', foi muito massa. Tocamos só as das antigas.
Ai sempre falava pra ele: "mano, vou gravar meu disco e quero que vc participe etc” e ele falava, “vamo Vito, vamo Vito”.
Pois é, eu cheguei na casa dele com a música pronta, e deixei o espaço dele em branco, botei o microfone e ele saiu metralhando. Em uma hora tinha a parte dele pronta.
O Otto é um cara gente fina, gosto dele, foi parceiro.
Sobre a Duda. Ea é foda cara! Um vulcão! Ela vai explodir... Canta muito, tem um timbre muito bonito, e é viceral, rockenroll, autêntica
A gente se conheceu através do Bruno Giorgi, que mixou o 'Já Carregou'. Ela estava gravando o disco dela. Mandei até umas músicas pra ver se ela curtia e gravava, mas nem rolou
A gente se falou varias vezes, mas só foi se conhecer no dia da “gravina”, acredita? Foi massa porque já saímos gravando...


Qual vai ser a banda ao vivo?

Minha banda no palco é: Maurício Calmon na bateria, Jayme Monsanto no baixo, Donatinho nos teclados, Pedro Costa na guitarra.
Isso não muda, é uma formação rockenroll, sem percussão nem metais. É claro que todos nós temos outros muitos trabalhos, e as vezes acontece de um não conseguir tocar aquele show e etc, e aí a gente dá um jeito.

Quais são os planos, agora que o disco está na internet?

Cara, eu tinha necessidade de fazer o disco. Eeu não curto ficar muito tempo parado nas coisas e como não sou conhecido, acho que o 'Já Carregou' andou até onde ele podia sozinho. Não tinha mais porque eu ficar esperando pra fazer outro...
Algumas pessoas me disseram que achavam melhor eu lançar ano que vem etc, mas bicho, não faz diferença soltar agora ou depois. A única diferença era pra mim, que ia ficar com um disco seis meses na gaveta.
Quando lançasse ele ia estar velho pra mim. Sou independente, não dependo de ninguém.
Eu quero tocar, mas esse ano está difícil. Ja estou com muita coisa pra fazer com outros projetos. Acho que ano que vem vou me organizar melhor e é bom porque o disco tem o tempo dele de chegar nas pessoas.
O que eu mais quero agora é que as pessoas escutem. Só isso...

2015 Pode Ser

1. Salvação
2. Discreto
3. Ex
4. Não te interessa
5. Pode ir
6. Nova rota (ft. Duda Brack)
7. Pode ser (ft. Otto)
8. Um dois ou três
9. Pensar em outra
10. Raio gourmet (ft. Gustavo Benjão)